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domingo, setembro 20, 2009

ANIVERSÁRIO DE 11 ANOS DO ADOLESCENTRO - 1

Na sexta passada o Adolescentro encerrou sua semana com a comemoração de seu aniversário,
como já é tradição, com apresentações dos parceiros do Adolescentro, isto, os adolescentes e suas famílias.

Foram vários os presentes que a equipe do Adolescentro recebeu, entre elas uma grata surpresa, uma reportagem do Correio Brasiliense de Cecília Castro, que todos devia ler.
Ao Correio, nossos agradecimentos e especialmente a Cecília de Castro, por sua sensibilidade e decisão de fazer uma repostagem que não traz sofrimento, mas sucesso!

Um grande abraço!

Valdi Craveiro Bezerra
Médico Hebiatra

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Moçambique encontra o Adolescentro















Terça-feira dia 11 o Adolesce
ntro recebeu a visita de duas mulheres maravilhosas de Moçambique. A diretora de Assuntos de Família, Mulher e Gênero do Ministério da Mulher e Ação Social de Moçambique, Célia Armando e Berta Seiuma, técnica responsável por ações de enfrentamento da violência de Moçambique. Acompanhando Célia e Berta, estavam Ana Margareth Gomes, da área técnica da Saúde da Mulher do Ministério da Saúde/Brasil, parceira do Adolescentro e Fernanda Lopes do Fundo de População das Nações Unidas/UNFPA/Brasil, futuros parceiros.

Moçambique é um país jovem. Decretou sua independência em 25/06/1975 livrando-se da violência colonialista e entrando em outra violência, a da guerra civil. Nenhuma delas é mais ou menos importante que a outra. Desde as terríveis minas terrestres, mutiladoras de corpos e de almas, até a violência doméstica e sexual, não importa, violência é violência e sempre será uma vergonha humana, e por isso, deve ser eclipsada, escondida.

Por isso toda atitude que tire das sombras a violência sexual, merece nossa admiração e respeito. Essas duas mulheres poderosas vieram à Brasília e quiseram conhecer um serviço, que como elas, parece que lutam contra a maré, no que diz respeito aos resultados. Isso se deve ao fato de temos que lutar não apenas contra uns “monstros”, autores da violência, mas contra toda uma cultura, que disfarçadamente, dos tempos bíblicos até hoje, trata a mulher e a criança como mercadorias. A forma de a cultura humana pensar a violência sexual contamina até as instituições e as pessoas que lutam contra ela, levando-as a contribuir com a invisibilidade da violência sexual.

Essa armadilha começa com a reificação da violência. Ao transformá-la em coisa, em um instrumento em vez de uma relação desigual entre sujeitos em um determinado contexto, nos eximimos da co-responsabilidade por todas as violências sexuais. Isso fica evidente ao observarmos nossa reação ou FALTA DE AÇÃO diante da INIQÜIDADE do nosso Código Penal, ao considerar a violência sexual, um dos crimes mais hediondos, perversos e danosos contra a integridade biopsicosoccial do ser humano, como um (simples) crime contra os costumes. ISSO É UMA VERGONHA. EU MORRO DE VERGONHA, não de ser homem, mas de ter no corpo da lei de meu país esse absurdo. O que está em jogo não é o castigo, a pena, mas a maneira de desqualificar a vítima, geralmente uma mulher ou criança, em função do autor, em sua grande maioria um homem.

Para sair dessa armadilha, nós do Adolescentro adotamos um conceito sistêmico que considera a violência sexual relação e, com isso, nos denuncia sempre que nossos pré-conceitos afloram.

Violência sexual é uma relação desigual de poder, de força, ou de nível de compreensão do que esteja acontecendo, entre a vítima e o autor que, ao desqualificar o outro como sujeito, usa-o para sua satisfação sexual de forma física, psicológica ou social, em um contexto familiar e/ou social que constrói esses personagens e propicia ou facilita a formação dessas relações. (Bezerra,VC; 2007)

Foi um encontro de irmãos, parecia que nos conhecíamos há tempos, apesar de nunca termos nos vistos. No entanto, não foi a cultura que nos uniu, apesar da língua ser a mesma, mas nosso enfrentamento a violência sexual, que em última análise, é uma luta contra nós mesmos. Talvez por isso, carreguemos uma sensação de que isso não acaba nunca. Ao menos a uma conclusão já chegamos: não adianta punir, temos que aprender e ensinar o respeito incondicional ao outro, que apesar das diferenças, jamais seremos desiguais diante dos homens.

Enquanto apresentávamos o Adolescentro, Moçambique se preparava para ser quarta-feira, e ainda estávamos na terça sem saber de nada. Esse fuso horário é às vezes desconcertante, assim como a violência, quando descobrimos que é a mesma e no entanto está em todos os lugares ao mesmo tempo. Como pode?

Conheça um pouco mais de Moçambique e se tiver curiosidade visite também o Adolescentro. É importante para nós sabermos que não estamos só. Foi esse presente que Célia e Berta nos deixaram.

Um grande abraço!


quarta-feira, novembro 07, 2007

Adolescentro recebe condecoração da Vara da Infância e da Juventude





(06/11/2007 - 16:53) Página da SES

O Adolescentro receberá condecoração da Vara da Infância e da Juventude, nesta sexta-feira (09), às 9h30, no Auditório Nívio Geraldo Gonçal

ves (SGAN 909 Norte, módulo C/D). Centro de referência, pesquisa, capacitação e atenção ao adolescente em família, o Adolescentro é considerado um dos melhores serviços prestados pela rede públ

ica de saúde ao adolescente no Brasil.

A iniciativa da condecoração é do juiz da Vara da Infância e da Juventude, Renato Rodovalho Scussel. O Adolescentro faz cerca de 800 atendimentos por mês, entre adolescentes e familiares. Há um ano, foi reconhecido como Centro de Atenção Psicossocial – CAPS, conforme publicação no Diário Oficial do DF (Portaria nº 47, de 26/09/2006).

Equipe
Uma equipe formada por hebiatras, psicólogos, psiquiatras, ginecologistas e odontólogos atuam no Adolescentro. Além de atendimento psico-social, os adolescentes têm tratamentos dentários e ginecológicos. É referência no atendimento ao adolescente com idades entre 10 e 19 anos incompletos em situação especial por uso de drogas, conflitos com a lei e convivência de violência sexual (neste caso trabalha tanto com a vítima como com o agressor).

Para marcar consultas no Adolescentro, se for para casos de envolvimento com drogas ou violência sexual, basta comparecer ao centro de segunda à sexta-feira, em horário comercial. Já para transtornos de comportamento e déficit de atenção, a marcação é feita toda última sexta-feira de cada mês.

Acácia Daniel/SES/DF

quarta-feira, setembro 05, 2007

Quem é essa mulher?

Todos nós queremos mudanças, desde que não tenhamos que mudar nada.

Com a saúde o problema é maior, pois geralmente as mudanças necessárias não estão nos clientes/pacientes, mas nos profissionais e nas políticas públicas, dois setores que dificilmente aceitam mudanças.

O Instituto de Saúde Mental da Secretaria de Estado do DF (ISM) está vivendo essa situação. O símbolo da luta antimanicomial no DF, para continuar crescendo, precisa mudar para CAPS II. Essa atitude torna-se novamente emblemática pois mostra que atrás da reação de poucos profissionais do ISM, que a luta antimaniconial, tão bem representada pela guerreira Dra. Nise da Silveira (1905 – 1999), continua e está seriamente ameaçada pelos poderosos leitos hospitalares.

Nós do Adolescentro vivemos nos últimos 10 meses um grande processo de mudanças. A reação contra elas não tinha justificativa clara e plausível. Apenas não queriam mudanças. No entanto estavam claro as vantagens de uns poucos para que um dos 63 centros de saúde do Df não dedicasse sua atenção ao adolescente.

O mesmo pode estar acontecendo com o ISM. Com certeza as razões contra a mudança, contra o aumento de atendimentos e resolução dos casos não serão claros, mas trarão nas sombras os verdadeiros motivos, é só olhar.

Quem é essa então mulher que toma nas mãos a bandeira da luta a favor dos excluídos, que só são lembrados para dar lucro em leitos eternos? O ISM tem Guanaíra e um grande número de profissionais na condução desse processo. Com certeza não estão iludidos de que se trata apenas de um descontentamento de alguns médicos. Sabem que a luta antimaniconial continua e necessitam do apoio de todos aqueles que acreditam que a dignidade humana não tem preço e que os hospícios já mostraram toda sua iniqüidade.

Hospícios, nunca mais, nem mesmo para os que são a favor deles.

Querida Guanaíra e amigos que formam sua equipe. Estamos com vocês e gostaríamos de postar em nosso blog todas as moções de apoio que vocês receberam por e-mail. Nesse momento não cabe timidez.

VAMOS A LUTA!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Nós do Adolescentro apoiamos e acreditamos nessa loucura: lutar contra poderosos!

Conte conosco.

Equipe do Adolescentro - CAPS ad

terça-feira, março 06, 2007

Bem vindos a bordo da felicidade

Hoje inicia um novo desafio para o Adolescentro. Oferecer um Treinamento em Serviço de no mínimo 360 horas para 55 profissionais. O Treinamento em Atenção Biopsicossocial ao Adolescente em Família é oferecido em várias modalidades. Todas essas participam da mesma atividade técnico-científica na terça-feira das 07 às 12 horas. Hoje apresentamos o Adolescentro - o Centro de Referência, Pesquisa, Capacitação e Atenção Biopsicossocial ao Adolescente em Família e o Programa do Treinamento em Serviço.

Até ano passado não passavam de 30 o número de profissionais em treinamento. Esse ano nós assumimos o desafio de treinar 55 profissionais, pertencentes a 13 regionais da SES e a 05 outras instituições.

O objetivo é ampliar e construir cada vez mais a rede de atenção biopsicossocial ao adolescente na SES.

Para a Secretaria de Saúde é o treinamento mais barato que existe e que dá maiores dividendos. (1) Recicla seus profissionais com recursos da própria SES sem gastar um centavo nem se preocupar com os custos do treinamento, a não ser manter o salário dos servidores quando liberados; (2) Investimento na promoção pessoal desses servidores tornando-os mais felizes e realizados profissionalmente; (3) Amplia a rede de atenção ao adolescente oferecendo um serviço de ponta e de alta qualidade para a população; (4) Dá uma resposta a pressão da justiça em garantir o atendimento à população adolescente com problemas de drogas; (5) Contabiliza 17 serviços criados e montados a partir do Treinamento em Serviço oferecido pelo Adolescentro, os quais todos os anos se encontram para discutir e trocar experiência para a promover da autonomia de cada um.

No entanto, a própria SES, principalmente seus gestores, desconhecem tudo isso. Afirmamos isso porque nós do Adolescentro, apesar de enaltecendo o nome da SES com esse treinamento, sofremos todos os anos com atitudes equivocadas, de pessoas cujo cargo lhes dá o poder de trabalhar contra a população e contra os objetivos da SES sem serem questionados.

Mesmo assim continuamos a fazer o que achamos que é o certo. Independente da prepotência de pessoas que utilizam seus cargos como estivessem pilotando a cozinha de suas casas, vamos continuar lutando para a expansão da rede de atenção biopsicossocial ao adolescente em família na rede de saúde da SES. Essas pessoas não precisam estudar, ensinar, crescer, criar serviços, se comprometer ou promover cada vez mais a saúde da população. Elas são assim mesmo, infelizes.


Hoje, diante de tantos objetivos do treinamento 2007, nos perguntaram qual seria o objetivo mais importante. Quanto a isso não temos dúvidas.





Aprender a ser mais felizes sendo quem somos: Profissionais guerreiros contra toda iniqüidade.



sexta-feira, março 02, 2007

Eu grito, tu gritas, Daniela grita, nós gritamos....

Hoje na 3ª Reunião do Colegiado de Saúde Mental do DF, do qual o CAPS ad - Adolescentro faz parte, entre as várias resoluções, foram apresentadas duas denúncias de violência à pacientes com problemas mentais. Mas, a que mais mobilizou emoções, foi Daniela relatar a situação de algumas “pessoas-bichos”, que foram condenadas ao limbo. Eles vieram da antiga Clínica Planalto e atualmente estão confinados em uma instituição de saúde mental da SES, mas não são considerados pacientes dessa, pois não têm prontuários. No entanto não podem ir nem vir, vivem uma situação de prisioneiros sem sê-los. Alguns não têm nem nomes. Não existem como pessoas, não são cidadãos. Se morrerem, nunca existiram. Ninguém sabe ninguém viu! Como não são da instituição que os abriga, os profissionais não se comprometem com eles, exceto a Daniela e as outras enfermeiras, que há 04 anos são as únicas pessoas a perceber que aqueles “animais-pessoas” têm algo de humano, apesar da relutância da SES, da Promotoria, do GDF, da Justiça e de todos nós em fazermos alguma coisa contra tanta iniqüidade.

Concordamos que não é fácil pensar como nós do Adolescentro, quando se trata de violência. Para nós, violência é qualquer relação desigual entre pessoas, na qual a parte mais forte desqualifica a outra, a trata como coisa. Nega a essa pessoa o direito de ser sujeito, pessoa, gente. É por isso que afirmamos que todo processo de exclusão começa com um ato de violência, como quando Adão foi expulso do paraíso, por ter desobedecido a seu pai.

Daniela, a “Gerreira”, mesmo correndo o risco de ser expulsa do paraíso, desobedeceu ao SILÊNCIO e gritou. No entanto, se não gritarmos juntos com Daniela, vamos acabar convencidos que Adão mereceu toda a iniqüidade cometida por seu próprio pai, e achar que o problema dessas pessoas-bichos é um problema institucional, que só se resolverá com as Residências Terapêuticas.

É por isso que eu grito, tu gritas, Daniela grita e nós gritamos.


Leia a Nota de esclarecimento

12 de abril de 2007


domingo, dezembro 03, 2006

COM MUITO PRAZER, somos o GTV-14

Dia 28 de novembro foi o penúltimo encontro do ano do GTV-14 (Grupo Terapêutico Vivencial de adolescentes acima de 14 anos).
Um dos
principais objetivos do GTV-14 é o resgate das relações amorosas de autoridade do adolescente consigo mesmo, com seus familiares e com seus pares.
A construção dessas relações proporciona o exercício prazeroso e seguro da sexualidade, isto é, da vida.

O GTV-14 último, no primeiro momento, concluímos um ciclo de conversas a respeito da construção de relações eróticas-amorosas e aproveitamos para tirar as últimas dúvidas. A segurança nas relações eróticas-amorosas em portadores do vírus da AIDS foram as mais freqüentes.

No segundo momento, como sempre, utilizando vivências Biodança procuramos na prática, trabalhar as relações construídas e/ou discutidas no momento anterior. O maior problema, não está em aprender ou construir novas relações, mas em “desgenitalizar” os comportamentos.

Ao entrarmos na puberdade, com muita freqüência, nós perdemos o colo, o contato físico, tão comum e essencial para o desenvolvimento e crescimento saudável de todo mamífero, e principalmente do ser humano.

Por desconhecimento, dificuldades ou orientados por falsos valores morais, nós pais evitamos o contato, cujo resultado é justamente aquilo que queríamos evitar: a genitalização do toque, do colo.

O casamento da exacerbação do prazer genital no início da puberdade e a perda do toque, do abraço e do colo, essas atitudes passam a ter um significado erótico, por não sabermos mais abraçar, tocar e dar colo por simples prazer de estar no mundo com os outros.

Um dos principais objetivos do GTV-14 é “desgenitalizar” as relações e fazemos isso re-aprendendo a abraçar, dar colo, tocar e ser tocado sem medo de ser feliz, sem medo de sermos sujeitos de nossas ações COM MUITO PRAZER.

terça-feira, novembro 07, 2006

Amigos Adolescentro Especiais

Segunda-feira, dia 6 de novembro de 2006, página 21 do Diário Oficial do Distrito Federal, foi publicada a nomeação do Gerente do Adolescentro (CS1406). Temos 54 dias para gestarmos um empreendimento que esperamos 24 anos. Um lugar para acolhermos o adolescente em sua totalidade biopsicossocial, como sujeito de sua história, de sua saúde, de sua vida. Nós já exercitávamos essa prática, mas num lugar diminuto. A criação do Adolescentro, como mágica, duplica, por exemplo, o número de vagas para adolescentes vivendo uma situação especial de uso de drogas, simplesmente porque aumenta o número de salas disponíveis para atendimento.

Além do atendimento clínico ao adolescente, oferecemos atendimento especializado nas áreas de violência, uso de drogas, transtornos que dificultam a aprendizagem, comportamentos disruptivos e problemas familiares, visando o atendimento do adolescente como um todo em sua integralidade. A metodologia utilizada pelo Adolescentro e desenvolvida por Valdi Craveiro Bezerra e Ana Carolina Bessa Linhares, consiste na construção de relações amorosas na família para proporcionar o resgate da competência dos pais na relação com os filhos. Esse processo não atinge apenas os adolescentes com problemas, mas toda a sua família. No que diz respeito ao atendimento de adolescentes vivendo uma situação especial de uso de drogas, essa proposta consiste em “internar” o adolescente no seio de sua família. Para isso é necessário que os pais mudem suas relações com os filhos> É isso que fazemos no Grupo Multifamília. A grande transformação ocorre quando esses pais oferecem sua mudança como instrumento da mudança dos filhos. Como uma bola de neve o processo continua. E esse é apenas um dos programas que o CAPS ad - Adolescentro estará oferecendo a toda comunidade de Brasília.

Por isso, em nome da família Adolescentro, isto é, todos nossos clientes, suas famílias e nossos parceiros, podemos dizer ao Sub-Secretário José Rubens Iglesias e ao Secretário de Estado de Saúde José Geraldo Marciel o quanto vocês são Amigos Adolescentro Especiais, por que:

No mundo há pessoas importantes, famosas, poderosas que num estalar de dedos poderiam mudar o mundo, mas não o fazem.

No entanto, há pessoas especiais como vocês, que pela maneira amorosa e comprometida, nos fizeram sentir também pessoas especiais.

Nós, do ADOLESCENTRO, nos sentimos muito honrados por estarmos compartilhado com vocês esses momentos tão importantes para nós.

Com toda nossa gratidão, nosso muito obrigado!

Equipe do CAPS ad - ADOLESCENTRO

quinta-feira, outubro 26, 2006

Não me façam perguntas difíceis!

Em 1997 ao chegarmos ao Centro de Saúde 1406, por uma questão de compromisso com nossos adolescentes, decidimos que a equipe faria a marcação de consultas. Foram várias as tentativas. A primeira foi a Agenda aberta. Com duas semanas não havia mais vagas para o mês seguinte. Tivemos 68% de faltas. Os adolescentes encaminhados pela Vara da Infância e Juventude faltaram à consulta em 94,8% das marcações antecipadas. O método não foi aprovado.

A segunda experiência e utilizada até o momento, foi ter um dia fixo para marcação de consultas: toda última sexta-feira de cada mês. Até o ano 2003, não havia filas nem reclamações.
O acolhimento, que era uma entrevista e orientação para cada pessoa que procurava o Adolescentro, se estendia por toda a manhã, isto é, até às 11 horas estavam chegando pais para marcar consultas e geralmente conseguiam vagas. Os que chegavam depois das 11h e que não conseguiam vaga, perguntavam ao que tinha conseguido: “Você chegou que horas?” O pai ou mãe respondia: “Cheguei cedo, cheguei às 09 horas”. No mês seguinte, para garantir uma vaga para o filho, a mãe chegava às 7 horas. O que não conseguia ao saber do horário que o outro tinha conseguido uma vaga, planejava vir mais cedo no próximo mês.

Em um ano, o horário passou para 06 horas da manhã. No ano seguinte, 2005, o acolhimento começava com uma apresentação do que era o Adolescentro, sua filosofia de trabalho e a importância da parceria com a família no atendimento dos adolescentes. Para conseguir uma vaga era necessário chegar antes das 5 horas. Na passagem de 2005 para 2006 houve um aumento expressivo na procura por uma consulta no Adolescentro. Em março, as pessoas passaram a chegar às 19 horas do dia anterior.

Para nós da equipe do Adolescentro, isso é um tormento. Apesar da resignação das pessoas que ficam na fila sem nenhum conforto, justificarem que “vale a pena o sacrifício para conseguir uma consulta aqui no Adolescentro”, nós nos envergonhamos, porque sabemos que é direito da população e não um favor, oferecer o melhor atendimento possível a seus filhos adolescentes.

Hoje, véspera de marcação de consulta, os primeiros pacientes chegaram às 09:30 horas de quinta feira, quase 24 horas antes do início da marcação das consultas. Há quatro dias sai na CBN notícias falando da transformação do CS 06 no CAPS-Adolescentro, para atender adolescentes com vários tipos de problemas. No entanto, há uma semana o Secretário de Estado de Saúde encaminhou a solicitação de nomeação do novo gerente do CS 06 para iniciar o processo de transformação do CS 06 em CAPS-Adolescentro e até hoje não foi publicado no Diário Oficial do DF.

A divulgação da transformação para CAPS-Adolescentro fez portanto, eclodir uma situação que anteriormente já estava ficando explosiva. Uma grande demanda da comunidade para a mesma equipe de 5 profissionais com 40 horas e 2 de 12 horas. Equipe que além de atender um grande número de adolescentes e suas famílias, ainda oferece um Treinamento em Serviço que capacita profissionais da Secretaria de Estado de Saúde para atender adolescentes em outras regionais.

A demora da publicação faz com que nada mude. A gerencia não é ainda do Adolescentro, as requisições de novos profissionais não podem ser feitas, permanecendo os mesmos 7 profissionais, que certamente não darão conta do aumento da demanda. Isso faz com que fiquemos de mãos amarradas, tendo que aguentar as pressões e a possibilidade de que as pessoas que não querem nenhuma mudança, ganhem espaço e comprometam o trabalho do CAPS-Adolescentro.

As pessoas estão ligando e perguntando como será a marcação para o próximo mês e se já somos um CAPS. Para essas perguntas não temos respostas. Nós temos outras respostas. Sabemos por exemplo que a distância entre a terra e a lua são 384.00 Km e que a terra tem seu eixo de rotação inclinado com relação à perpendicular do seu plano de órbita com o ângulo de 23 graus, 26 minutos-de-arco e 21 segundos de arco (ou 2 3,4392 graus) e ele tem variado ao longo do tempo entre os valores 22,64 e 24,36 graus.

No entanto isso não nos ajuda, necessitamos urgente de decisões que visem a promoção da saúde de nossos adolescntes para podermos responder que amanhã seremos um CAPS!

sexta-feira, outubro 20, 2006

O CAPS ad – ADOLESCENTRO não pode ter morte prematura

Brasília 18 de outubro de 2006

Caro parceiro do ADOLESCENTRO

Há 24 anos começou nossa história. O Setor de Adolescentes da Unidade de Pediatria do Hospital de Base era criado, como parte de um projeto de múltiplas especialidades pediátricas. Apesar de ter compartilhado todas as dificuldades comuns ao país, ao DF e a Secretaria de Estado de Saúde (SES), a nossa história é de um constante crescimento e de sucesso.

Já fomos uma equipe de uma pessoa e hoje somos uma equipe de nove profissionais: 3 pediatras-hebiatras, 1 ginecologista infanto-puberal, 2 psicólogas, 1 assistente social, 1 auxiliar de enfermagem e 1 auxiliar serviço social. O desejo e determinação de sermos uma equipe multiprofissional e interdisciplinar, garantiu nossa existência como equipe de fato.

Assumindo desde o início uma abordagem sistêmico-complexa como forma de viabilizar nossa determinação, essa equipe de profissionais se auto-intitulou de ADOLESCENTRO, O Centro de Referência, Pesquisa, Capacitação e Atenção à Adolescência. Esse título pomposo e pretensioso é confirmado e reconhecido por toda nossa clientela e pelas instituições que demandam nossos serviços, pela qualidade, persistência e seriedade do nosso trabalho.

O objetivo do ADOLESCENTRO é a promoção do adolescente como sujeito de sua história de vida, de sua saúde, de sua autonomia. Atendemos adolescentes do DF e entorno de 10 a 19 anos, em sua grande maioria com condições sócio-econômica desprivilegiada, em uma abordagem biopsicossocial na qual a família está incluída como parceira e cliente no atendimento.

Além do atendimento clínico ao adolescente, oferecemos atendimento especializado nas áreas de violência, uso de drogas, transtornos que dificultam a aprendizagem, comportamentos disruptivos e problemas familiares, visando o atendimento do adolescente como um todo em sua integralidade. Várias instituições como a Vara da Infância e Juventude, Conselhos Tutelares, Promotoria, DEAM, DPCA e Casa Abrigo, nos encaminham adolescentes devido a complexidade de seus casos, os quais não encontram, além do ADOLESCENTRO, outra referência que respondam as suas necessidades.

Embora uma parte de nossa clientela seja encaminhada por essas instituições, seu maior contingente deve-se a procura espontânea pela comunidade, devido a divulgação por nossos adolescentes e famílias. São em média 750 atendimentos por mês, entre adolescentes e familiares, nas modalidades de atendimento individual e de grupos terapêuticos vivenciais.

As atividades clínicas, de promoção e de prevenção formam uma unidade indissociável na nossa maneira de enfrentarmos os problemas que ameaçam a saúde do adolescente e de sua família. A metodologia desenvolvida e utilizada pelo ADOLESCENTRO consiste na construção de relações amorosas na família e nas relações inter-pessoais. Assim, atua-se na prevenção da violência, do uso prejudicial de drogas, das DST e da gravidez não planejada.

Além dessas atividades, o ADOLESCENTRO oferece, anualmente, o Treinamento em Serviço para 35 profissionais da SES, de outros órgãos do GDF e do entorno, os quais formam a rede de atenção ao adolescente em toda a região. Essa capacitação tem uma carga horária mínima de 360 horas, e como resultado dessa atividade, a criação de 15 núcleos de atenção biopsicossocial ao adolescente em família na rede de serviços da SES. De 1999 a 2005 foram capacitados 85 profissionais de medicina, enfermagem, psicologia, serviço social, educação e auxiliares de nível médio. No ano de 2006 estão sendo formados 35 profissionais provenientes da Secretaria de Ação Social, do Conselho Tutelar, do Programa Família Saudável, da Polícia Militar, da Casa Abrigo, além dos profissionais da SES.

Somos uma equipe de profissionais determinados, que realiza um trabalho de alta qualidade, e não mede esforços nem depende de condições ideais para realizar o trabalho que acreditamos necessário. Buscamos durante todo tempo parcerias e convênios para a realização de nossos projetos. Apesar de todo nosso esforço e empenho, existiam questões legais e práticas que dificultavam certas ações, tais como a realização de parcerias e convênios, que são relações estabelecidas entre instituições e não entre instituições e pessoas, como acontecia com o ‘ADOLESCENTRO’.

Até o dia 22 de setembro de 2006 essa valorosa equipe ocupava as dependências do Centro de Saúde de Brasília Nº 1406, situado na Via L2 Sul na Quadra 605. O espaço terapêutico era formado por um salão de vivência, três consultórios, uma sala de secretaria e a área externa do CS onde também realizávamos vivências. Nesse dia, no seu 24º aniversário, o ADOLESCENTRO e toda a comunidade adolescente e seus familiares, receberam um grande presente, a portaria Nº 47 de 26 de setembro de 2006. Finalmente, após oito anos de negociações, tentativas e esperas, o Secretário de Estado de Saúde (SES), Sr. José Geraldo Maciel, atendendo o disposto no Decreto Nº 19.620, de 23 de setembro de 1998, definiu a finalidade e operacionalização do Adolescentro, ratificando a transformação do CS1406 em ADOLESCENTRO. A partir dessa data o ADOLESCENTRO passou a ser todo o Centro de saúde.

Apesar do grande feito da atual gestão da SES, a mudança política que ocorrerá na passagem do ano, além de anunciar novas esperanças é também prelúdio de sérias apreensões. Enquanto nossa equipe assume os objetivos da SES, que é garantir o melhor atendimento e promoção da saúde integral à comunidade atendida por nós, há grupos que não concordam com esses objetivos.

Após a publicação da Portaria Nº 47, quase todos os profissionais do CS1406 nos apoiaram e elogiaram a medida. Os profissionais que não se identificaram com o atendimento voltado para o adolescente, colaboraram solicitando a transferência para outras unidades da Regional Sul, para dar continuidade aos projetos que vinham desenvolvendo no CS1406. Essa atitude generosa e ética desses profissionais está proporcionando a transição mais tranqüila, de finalidades de uma unidade de saúde, que a SES já realizou. No entanto, estamos sofrendo constantemente ameaças de um retrocesso total na mudança de governo. Apesar da importância do CAPS ad –ADOLESCENTRO para toda a comunidade do DF e entorno, há um pequeno grupo de pessoas determinadas a usar todas as influências políticas possíveis com o novo governo, para tornar o ADOLESCENTRO no que era antes, um Centro de Saúde que atendia apenas 14% de sua área de abrangência. Um serviço para poucos diante de tantas necessidades de nossos jovens.

Acreditamos na importância do CAPS ad –ADOLESCENTRO para qualquer partido político ou governo. Acreditamos que todo governante e sua equipe tem como meta o bem de seu povo. No entanto, não podemos deixar de considerar que, não são apenas as necessidades que orientam os feitos de nossos governantes, mas soma-se a isso todas as pressões políticas e os interesses pessoais de alguns.

Por isso, certos de que podemos contar com nossos parceiros, solicitamos, dentro de suas possibilidades, o apoio formal junto ao governo de transição, para dar continuidade e continuarmos ampliando e multiplicando os trabalhos do ADOLESCENTRO, agora um CAPS ad –ADOLESCENTRO.

Atenciosamente.

Equipe do ADOLESCENTRO