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domingo, setembro 20, 2009

ANIVERSÁRIO DE 11 ANOS DO ADOLESCENTRO - 1

Na sexta passada o Adolescentro encerrou sua semana com a comemoração de seu aniversário,
como já é tradição, com apresentações dos parceiros do Adolescentro, isto, os adolescentes e suas famílias.

Foram vários os presentes que a equipe do Adolescentro recebeu, entre elas uma grata surpresa, uma reportagem do Correio Brasiliense de Cecília Castro, que todos devia ler.
Ao Correio, nossos agradecimentos e especialmente a Cecília de Castro, por sua sensibilidade e decisão de fazer uma repostagem que não traz sofrimento, mas sucesso!

Um grande abraço!

Valdi Craveiro Bezerra
Médico Hebiatra

quinta-feira, maio 21, 2009

DESCULPAS NECESSÁRIAS

Há períodos na vida que vamos dormir decididos a largar tudo. Chutar o pau da barraca. No entanto, a compulsividade existencial nos faz acordar cheio de planos, imaginar formas mirabolantes, tudo para contornar as dificuldades e tocar em frente. Foi assim que mantivemos nesses 27 anos de existência a idéia Adolescentro.
Parte dessa idéia é a Educação Continuada, representada pelo Treinamento em Serviço (TS) do Adolescentro que acontece há oito anos. Nesse ano o propósito era oferecer o TS como Curso de Especialização. Não deu!
Parte da equipe entendeu não seria possível, e como coordenador do Curso de Especialização, me sinto na obrigação de pedir desculpas pelas espectativas criadas e com tristeza comunicar que NÂO HAVERÁ ESSE ANO, o Curso de Especialização do Adolescentro.
A equipe está se organizando para oferecer um TS para o segundo semestre, o que s
erá devidamente comunicado em tempo.

Também, me sinto no dever de confirmar que deixei a gerência do Adolescentro
desde o dia 01 abril, e com certeza, em boas mãos. Foi escolhido pela equipe a psicóloga Michelle para dar continuidade a essa idéia, o Adolescentro.

Um grande abraço!

Valdi


terça-feira, março 24, 2009

O Treinamento em Serviço do Adolescentro vai virar Curso de Especialização?

É justamente isso o que queremos. Nossa pretensão era comerçarmos no dia 07 de abril. No entanto, os prazos estão curtos e provavelmente o I Curso de Especialização na Atenção Biopsicossocial ao Adolescente em Uso de Drogas só terá início no dia 05 de maio, após aprovação do Convênio entre Associação dos Amigos do Adolescentes, FEPECS e SES.



A ideia é um curso voltado para o atendimento tanto da família como para o adolescente, que faz uso prejudicial de drogas. Será o casamento do Treinamento em Serviço (TS) para condução de grupo de pais de adolescentes em uso de drogas e o Biopsicossocial aos adolescentes usuários. Essa segunda parte constará da avaliação do uso de drogas, diagnóstico de comorbidades, tratamento, seguimento e avaliação do processo terapêutico. Por isso, o curso passou para 15 horas semanais. Podemos notar que o Curso de Especialização será diferente do TS, portanto, quem fez o TS não tem nenhum impecilho para fazer o Curso de Especialização.

O objetivo desse curso é criar condições aos profissionais para oferecerem, em suas regionais, um atendimento mais completo ao adolescente usuário de drogas, com mais segurança e efetividade. Ao ter condições de atender o básico nas comorbidades neuropsiquiátricas, restarão poucos casos para os especialistas, desafogando suas agendas.
Devido ao pouco tempo para publicação do Edital e para que os candidatos se preparem estamos divulgando a proposta do I Curso de Especialização na Atenção Biopsicossocial ao Adolescente em Uso de Drogas.

1. Natureza: o "lato-sensu" com objetivo de capacitar médicos, enfermeiros, assistentes sociais e psicológos da Secretaria de Saúde, conferindo-lhes conhecimentos específicos de natureza teórica e vivencial para o atendimento ao adolescente, em uso de drogas, e família na abordagem biopsicossocial.

2. Conteúdo Programático:
  • Epistemologia sistêmica e da complexidade;
  • Desenvolvimento Biopsicossocial na adolescência;
  • Transtornos neuropsiquiátricos na Adolescência;
  • Metodologia em Pesquisa Científica;
  • Atendimento ambulatorial ao adolescente em uso de drogas e à sua família numa abordagem biopsicossocial;
  • O atendimento em grupos de adolescentes (GRAU) e das famílias (GMF);
  • Elaboração de trabalho de conclusão de curso;

3. Público Alvo: Médicos, Enfermeiros, Assistentes Sociais e Psicólogos. Os critérios de seleção serão semelhantes ao do Treinamento em Serviço:

  • Profissionais da SES que já trabalham com adolescentes;
  • Profissionais da SES que desejam trabalhar com adolescentes no contexto da família para ampliação ou fortalecimento do serviço;
  • Profissionais de outras secretarias de governo que atendem o adolescente usuário de drogas na atenção à saúde;
  • Análise de currículo e carta de intenção (máximo 30 linhas);

4. Duração do curso: o curso de terá duração de 12 meses, sendo 07 meses presenciais e 05 cinco meses para elaboração e apresentação de trabalho final de curso.

5. Programação: O módulo teórico será realizado às terças-feiras no horário de 7 às 12h. O módulo prático será realizado às quartas-feiras no período das 7 as 12h e das 13 às 18h. Cada turno terá a carga-horária de 5 horas, todas realizadas no Adolescentro.

6. Investimento - O custo mensal para cada profissional inscrito será:
  • R$ 60,00 para profissionais da SES/DF;
  • R$ 300,00 para profissionais de outras instituições (caso a seleção dos profissionais da SES não preencha todas as vagas)



VALDI CRAVEIRO BEZERRA

Coordenador do Curso


Informações - Duvidas - Contatos:

adolescentro.df@gmail.com

3242-1447 3242-1446 3445-7581

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Mais um ano se foi e ficaram as lembranças


Esse ano conseguimos crescer mais um pouco. Se continuarmos assim, teremos que nos mudar para o HRAS.
A cada dia construímos relações amorosas e,
nesse ano, em especial, privilegiamos a equipe do Adolescentro.
Ano que vem, se tudo der certo, estaremos oferecendo o Iº Curso de Especialização substituindo o antigo Treinamento em Serviço. A proposta é iniciarmos na primeira semana de abril. Fiquem atentos.
Bem, nós aprendemos muito esse ano e desejamos a todo
s da família Adolescentro um Natal Feliz e um Ano Novo pleno de possibilidades.

Um grande abraço a todos!





Equipe do Adolescentro

terça-feira, novembro 04, 2008

Crianças, adolescentes, saúde mental e descaso. Quem "somos" os responsáveis?

Na tarde de sexta-feira, dia 31 de outubro de 2008, realizou-se audiência pública, sobre a execução da sentença de 24 de novembro de 2006, que condenou o Governo do Distrito Federal a criar e implementar uma política e serviços de atendimento à saúde mental de crianças e adolescentes, como previsto no ECA. Essa Ação Civil Pública teve início em 14 de março de 1997. Levou nove anos, oito meses e oito dias para a sentença e mais dois anos para se realizar esta Audiência Pública, totalizando 11 anos e oito meses de espera.

Acabou a espera ?
A psicóloga Flávia de Araújo do PDIJ fez uma apresentação contundente e impressionante, tanto histórica como a atual situação da saúde mental da criança e do adolescente no DF: total abandono pelas autoridades em todos esses anos. Como conclusão final o relatório apresenta apenas duas unidades no DF que prestam atenção às crianças e adolescentes: o Centro de Pesquisa, Capacitação e Atenção ao Adolescente e Família (Adolescentro) e o Centro de Orientação Médico Psicopedagógica (COMPP), “os quais não atendem a demanda atual do DF”.
Além da Dra. Tânia Torres Rosa, Subsecretária de Saúde representando o Secretário de Saúde, estavam compondo a mesa o Coordenador Administrativo em exercício da Promotoria de Justiça de Defesa da Infância e da Juventude, Nino Franco, o Promotor de Justiça Anderson Pereira de Andrade, a Subsecretária de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda, Marta Sales, o Presidente do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente (CDCA), Fábio Teixeira, e o Conselheiro do Conselho de Saúde do DF Michel Platini.

O público usou a palavra, por dois minutos cada, para reivindicar, cobrar, acusar, lembrar, esclarecer e falar de esperanças. De uma maneira geral, os problemas complexos como o uso de drogas, os transtornos mentais, a violência sexual entre outros, são reduzidos a uma simplicidade ingênua, principalmente em uma relação à sua solução: a saúde oferecer tratamento.
A mesa, não diferente da assistência, apontou os absurdos da lotação orçamentária para a saúde mental, acusou a SES de não respeitar até hoje a decisão judicial e, lembrou em boa hora, que o DF é o segundo estado com menor número de CAPES da Federação, só perdendo para o Amazonas. As colocações, todas, foram contundentes e impactantes. Não sobrou espaço para meio termo e acredito que foi uma das audiências públicas mais elegantes, pela seriedade de todos os presentes.

É importante lembrar que foi o resultado do esforço incansável da equipe de Promotores da Infância e Juventude, representados no evento pela Promotora de Justiça Leslie Marques de Carvalho. A promotora Leslie deixou claro que o objetivo do Ministério Público do DF e Territórios é participar ativamente para o cumprimento da sentença. No entanto, não esqueceu o mais importante: “Vamos fiscalizar o trabalho, mas o diálogo faz parte de todo esse processo”.
Como esperado, a audiência terminou com a fala da Subsecretária de Saúde, respondendo as questões colocadas. As colocações de Dra Tânia foram de uma honestidade e responsabilidade tão elegantes, que não houve discussão ao final. Algumas delas:
  1. As cobranças aqui realizadas não intimidam, mas intimam soluções;
  2. O que posso prometer é a determinação de trabalhar com todas as forças para que esta situação se desfaça e, em outra tarde, sem constrangimento eu poder desejar uma boa tarde;
  3. Todas as instituições envolvidas têm que desenvolver atos interdisciplinares para resolver o problema;
  4. Assumimos o que nos cabe e disporemos todos os recursos da SES para que se comece o equacionamento dessas questões;
  5. Mudança de cultura tem que ocorrer e não temos mais tempo. Esse é um dos nossos maiores problemas!
Esse é o momento?
Como o Adolescentro foi citado em várias ocasiões na apresentação sobre a situação da Saúde Mental no DF, é fundamental fazermos algumas colocações na esperança de ajudar nas soluções, pois não temos mais tempo, como colocado pela Subsecretária de Saúde:
Tanto a Saúde Mental como o uso de Drogas, são fenômenos biopsicossociais, e a criança e o adolescente são totalmente diferentes do adulto nos mesmos fenômenos. A criança não é um adulto pequeno. Adulto pequeno é anão. Nesse ponto endossamos a proposta da Dra. Mariza, gerente do COMPP, de ser criado na SES uma gerência específica para tratar da saúde mental da infância e adolescência.
Mesmo que a saúde funcione como um termômetro, e pareça que o problema reside nela, os problemas e limitações sociais, da justiça, do serviço social e do trabalho, participam da construção e manutenção desses fenômenos;
  1. Todos nós profissionais temos a deformação pela formação que temos. Seria hilário se não fosse desesperador um diálogo entre a saúde e a justiça, sobre um caso de violência sexual intradomiciliar. O conceito de violência sexual para justiça é centrado no autor, no crime. O foco do conceito da saúde TEM QUE SER focado no(o) sobrevivente da violência, justamente aquele que não faz parte da lei. No entanto, quando sentamos imbuídos em resolver o problema dessas pessoas, os resultados são maravilhosos e impressionantes;
  2. Só fazemos parte da solução se fazemos parte do problema. O inverso também é verdadeiro e sério. Enquanto as instituições envolvidas não tornarem-se parceiras e assumirem-se como parte do problema, vamos continuar no mesmo. Para isso é fundamental criar um Grupo de Ação com representantes permanentes e com autoridade para tomar decisões para resolver o problema. Nós, como cidadãos, temos que EXIGIR RESPEITO das autoridades que elegemos, para a saúde mental;
  3. O problema é urgente. Para nós, só usa drogas quem pode não quem quer. Em nossa experiência, os distúrbios e transtornos mentais, emocionais e afetivos precedem o comportamento.
Investir na prevenção e atenção à saúde mental da criança e do adolescente será a maior economia que qualquer governo possa fazer.
O grande problema dos transtornos mentais e o uso de drogas (entre outros) é que todos nós queremos distância. São problemas que nos envergonham, denunciam nossos piores temores e preconceitos. O pior de tudo é que, os transtornos mentais e o uso de drogas, além de roubar a cidadania das pessoas que padecem desses problemas, autorizam a sociedade como um todo, trata-los como coisas, pois só dão problemas. Temos que esquecê-los.

Basta lembrar que o processo que levou 11 anos e oito meses e nenhum jornal da capital achou o assunto importante para ser divulgado, a não ser no site da MPUDF .

Fica o desafio: Faça parte do problema!

Valdi Craveiro Bezerra

Duas primeiras fotos de José Evaldo Vilela no site
http://www.mpdft.gov.br/joomla/index.php?option=com_content&task=view&id=927&Itemid=1.

quinta-feira, agosto 07, 2008

FÉRIAS CULTURAL DO GRUPO TERAPÊUTICO-VIVENCIAL DE ADOLESCENTES MAIORES DE 14 ANOS (GTV-14)

O mês de julho foi muito rico para o GTV-14, pois aproveitamos este mês de férias para enriquecer nossa bagagem cultural. Realizamos visitas a duas valorosas exposições que estiveram em Brasília-Darwin em Brasília e os eternos tesouros do Japão.

No dia 15 de julho de 2008 o grupo visitou a Exposição Darwin em Brasília – a mais completa exposição sobre a vida e obra do naturalista inglês Charles Darwin. A exposição estava dividida em oito seções que retratavam toda a trajetória de vida de Darwin, a expedição do Beagle (com a passagem do naturalista pela América do Sul), descoberta de espécimes e o desenvolvimento da teoria da evolução. A mostra trouxe artefatos, documentos, filmes e vídeos interativos, o que realçou a contemporaneidade da teoria da evolução das espécies.

Essa exposição foi inaugurada em novembro de 2005 em Nova York, passou por poucos países e foi uma rara oportunidade para nós brasilienses ter contato com uma obra dessa grandeza. Foi muito proveitoso para discussão do GTV-14, trazendo para atualidade o evolucionismo. A reflexão de que a seleção das espécies é contínua, e se traduz, nos dias de hoje, na inserção digital e tecnológica, além da busca pelo conhecimento como essencial para uma “adaptação” social ao mundo moderno.

Para nós profissionais, a discussão da teoria sistêmico-complexa ficou ainda mais evidente se pensarmos que a inter-relação existente nos mais simples sistemas vivos interfere nos mais complexos fenômenos das relações humanas.

A segunda visita do grupo foi a exposição “Eternos Tesouros do Japão – a arte samurai” , que esteve em Brasília, de 19 a 30 de julho, no Museu Nacional do Conjunto Cultural da República. Foi realizada em comemoração ao centenário da imigração japonesa ao Brasil. Entre biombos, armaduras, gravuras, utensílios lindamente decorados em laca e textos na sua escrita peculiar – os ideogramas, quase imagens – tivemos acesso a peculiaridades de uma época e costumes orientais muito ricos em detalhes e construídos artesanalmente.

Para entrar em contato com aspectos e hábitos culturais diferentes é preciso se destituir dos nossos pré-conceitos. Conhecer e respeitar a diversidade depende de uma outra postura, a de compreender sem julgar, de admirar sem comparar. E a cultura japonesa tem sentidos e significados referentes a vida, morte, dignidade, luta, jamais compreendidos por nós ocientais, por termos nossos legados histórico-culturais, valores, religiões, uma subjetividade social que nos permite outra maneira de pensar esses mesmos valores...

Essas visitas, além de proporcionarem um momento de confraternização, demonstram que podemos ter acesso, lazer e contato com realidades que enriqueçam nossas vivências e possibilitem o exercício da cidadania.

“É interessante contemplar uma encosta conjusamente entrelaçada, revestida por diversas plantas de diversos tipos, com pássaros contando nos arbustos, com vários insetos voando, e com minhocas rastejando na terra úmida, e pensar que essas formas elaboradamente construídas... foram todas produzidas por leis agindo à nossa volta...

Há uma grandeza nassa visão da vida, com seus diversos poderes, havendo sido originalmente insuflados em algumas poucas formas ou em uma só; e que, enquanto este planeta esteve revolucionando de acordo com a fixa lei da gravidade, a partir de um início tão simples, infinitas formas, as mais belas e mais maravilhosas, evoluíram e continuam evoluindo.”

Charles Darwin

Bjos Ana Míriam e Michelle

Fotos - Valdi



quinta-feira, dezembro 13, 2007

Moçambique encontra o Adolescentro















Terça-feira dia 11 o Adolesce
ntro recebeu a visita de duas mulheres maravilhosas de Moçambique. A diretora de Assuntos de Família, Mulher e Gênero do Ministério da Mulher e Ação Social de Moçambique, Célia Armando e Berta Seiuma, técnica responsável por ações de enfrentamento da violência de Moçambique. Acompanhando Célia e Berta, estavam Ana Margareth Gomes, da área técnica da Saúde da Mulher do Ministério da Saúde/Brasil, parceira do Adolescentro e Fernanda Lopes do Fundo de População das Nações Unidas/UNFPA/Brasil, futuros parceiros.

Moçambique é um país jovem. Decretou sua independência em 25/06/1975 livrando-se da violência colonialista e entrando em outra violência, a da guerra civil. Nenhuma delas é mais ou menos importante que a outra. Desde as terríveis minas terrestres, mutiladoras de corpos e de almas, até a violência doméstica e sexual, não importa, violência é violência e sempre será uma vergonha humana, e por isso, deve ser eclipsada, escondida.

Por isso toda atitude que tire das sombras a violência sexual, merece nossa admiração e respeito. Essas duas mulheres poderosas vieram à Brasília e quiseram conhecer um serviço, que como elas, parece que lutam contra a maré, no que diz respeito aos resultados. Isso se deve ao fato de temos que lutar não apenas contra uns “monstros”, autores da violência, mas contra toda uma cultura, que disfarçadamente, dos tempos bíblicos até hoje, trata a mulher e a criança como mercadorias. A forma de a cultura humana pensar a violência sexual contamina até as instituições e as pessoas que lutam contra ela, levando-as a contribuir com a invisibilidade da violência sexual.

Essa armadilha começa com a reificação da violência. Ao transformá-la em coisa, em um instrumento em vez de uma relação desigual entre sujeitos em um determinado contexto, nos eximimos da co-responsabilidade por todas as violências sexuais. Isso fica evidente ao observarmos nossa reação ou FALTA DE AÇÃO diante da INIQÜIDADE do nosso Código Penal, ao considerar a violência sexual, um dos crimes mais hediondos, perversos e danosos contra a integridade biopsicosoccial do ser humano, como um (simples) crime contra os costumes. ISSO É UMA VERGONHA. EU MORRO DE VERGONHA, não de ser homem, mas de ter no corpo da lei de meu país esse absurdo. O que está em jogo não é o castigo, a pena, mas a maneira de desqualificar a vítima, geralmente uma mulher ou criança, em função do autor, em sua grande maioria um homem.

Para sair dessa armadilha, nós do Adolescentro adotamos um conceito sistêmico que considera a violência sexual relação e, com isso, nos denuncia sempre que nossos pré-conceitos afloram.

Violência sexual é uma relação desigual de poder, de força, ou de nível de compreensão do que esteja acontecendo, entre a vítima e o autor que, ao desqualificar o outro como sujeito, usa-o para sua satisfação sexual de forma física, psicológica ou social, em um contexto familiar e/ou social que constrói esses personagens e propicia ou facilita a formação dessas relações. (Bezerra,VC; 2007)

Foi um encontro de irmãos, parecia que nos conhecíamos há tempos, apesar de nunca termos nos vistos. No entanto, não foi a cultura que nos uniu, apesar da língua ser a mesma, mas nosso enfrentamento a violência sexual, que em última análise, é uma luta contra nós mesmos. Talvez por isso, carreguemos uma sensação de que isso não acaba nunca. Ao menos a uma conclusão já chegamos: não adianta punir, temos que aprender e ensinar o respeito incondicional ao outro, que apesar das diferenças, jamais seremos desiguais diante dos homens.

Enquanto apresentávamos o Adolescentro, Moçambique se preparava para ser quarta-feira, e ainda estávamos na terça sem saber de nada. Esse fuso horário é às vezes desconcertante, assim como a violência, quando descobrimos que é a mesma e no entanto está em todos os lugares ao mesmo tempo. Como pode?

Conheça um pouco mais de Moçambique e se tiver curiosidade visite também o Adolescentro. É importante para nós sabermos que não estamos só. Foi esse presente que Célia e Berta nos deixaram.

Um grande abraço!


sábado, dezembro 01, 2007

Aumente seu prazer e prolongue o dela, use camisinha!

1º de dezembro, dia mundial de luta contra a AIDS

Um dos maiores parceiros nessa luta é o preservativo, também conhecido como camisinha, camisa de Vênus, condon e outros.

Vem de muito tempo a preocupação do homem se proteger das doenças sexualmente transmissíveis (DST). Por muito tempo elas foram chamadas de doenças venéreas, em analogia a Vênus, deusa do amor. Como amor e sexo são coisas diferentes, apesar de poderem andar juntas, é preferível o termo DST.

Os egípcios já se protegiam com capinhas em volta do pênis para se proteger de picadas de insetos, ferimentos e provavelmente de doenças.

Foi a mitologia grega que deu a idéia e apresentou a camisinha ao ocidente.

“O rei Minos, filho de Zeus e Europa, era casado com Pasiphë. O monarca era conhecido por seu amor pelas mulheres e suas inúmeras amantes. Por obra de Pasiphë, Minos passou a ejacular serpentes, escorpiões e lacraias, que matavam toda aquela que se deitasse com o soberano. Pasiphë era imune ao feitiço aplicado a Minos, mas este tornou o rei incapaz de procriar. Minos, no entanto, se apaixonou por Procris. Para evitar que a relação com Minos lhe trouxesse a morte, Procris introduziu em sua vagina uma bexiga de cabra. Os monstros ficaram aprisionados na bexiga e Minos voltou a poder ter filhos."

A primeira descrição parecida com o preservativo atual, data de 1564,e foi feita pelo anatomista Gabriello Fallopio, intitulado De Morbo Galico (Doença Inglesa). Nome como a sífiles era conhecida na época, resultado da eterna rivalidade entre franceses e ingleses. Nesse estudo, Fallópio experimentou em 1100 homens “um envoltório de linho sobre o pênis durante o ato sexual, o qual impediu a disseminação de doenças, especialmente da sífilis”. No entanto o nome condon, apesar das controvérsias, dizem ser devido ao Dr. Condon, médico inglês da corte de Charles II, monarca do Reino Unido (1660-1685) que popularizou o protetor na língua inglesa.

A camisinha conheceu vários processos de fabricação e materiais. Em 1700 seu uso era extremamente popular, principalmente como método anticoncepcional. Os preservativos eram feitos à base de tripa animal. Nos anos de 1800, os japoneses criaram uma camisinha feita com um couro bem fino. Em 1843 com a descoberta revolucionária da vulcanização da borracha (adicionando enxofre e submetendo-a ao calor) permitiu que as camisinhas se tornassem mais elásticas e fossem produzidas a custos baixos. Em 1930 o látex líquido substituiu a vulcanização da borracha na fabricação os preservativos. Essa trecnologia continuou a se desenvolver até o surgimento das camisinhas de poliuretano, muito mais confortáveis.

Passados 1443 anos da publicação de estudo de Fallopio (1564), a preocupação com a prevenção continua, não só das DST, mas também da gravidez não planejada. O grande desafio continua convencer as pessoas dos direitos de se cuidarem. A apropriação do direito e dever de cuidar de sua vida e de todas as vidas, de buscar melhorias para si e para os outros é um processo. Só não podemos olhar muito para frente, onde queremos chegar, e percebermos onde estamos e entrar em desânimo. Já caminhamos muito. "O uso do condom no Brasil tem crescido regularmente desde o início da epidemia de HIV/AIDS."

Ainda não conseguimos introjetar a camisinha em nossa subjetividade, como o ato de beber coca-cola, por exemplo. Ainda há preconceitos, medos e muita ignorância e maldade travestidas de religião ou de parlamentares (vereadores, deputados, senadores) sem nenhum argumento empírico comprovado, propondo leis castradoras de todos os tipos.

Mas vamos resistindo. Nosso sonho de consumo é chegar um dia, que não iremos mais dormir, sem ver, assistir ou ouvir uma propaganda sobre o uso da camisinha, assim como acontece com a coca-cola. Aprender sobre o valor da vida, do direito de ser feliz, de ter prazer, de amar a si e aos outros. E de tanto ser bombardeados, quem sabe, passaremos acreditar que somos sujeitos de nossa vida, de nossa saúde, de nossa existência e da existência da vida, e a camisinha seja parte disso.

Infelizmente os recursos dos homens honestos, que lutam para cuidar da saúde do povo, são escassos. Mas sabemos que temos recursos. Só precisamos ser mais espertos e chegarmos antes dos políticos, funcionários públicos e empresários desonestos meterem a mão no nosso bem público. O problema é que eles têm um estímulo muito maior que a vida. Eles têm a impunidade!

É claro que toda essa luta não se resume a isso, o que é muito bom. Podemos lutar de várias formas e lugares a favor da vida. O Ministério da Saúde, por exemplo, lançou o Blog QUALSUAATITUDE? . Além de interessante é um ponto de encontro de idéias. Nós do Adolescentro, há mais de dois anos, que estamos vinculando a camisinha ao prazer em vez da preocupação com doenças e gravidez. Apesar de muitos falarem o contrário, a camisinha diminui sim a sensibilidade peniana. Isso faz com que o homem demore mais a ter o orgasmo. O pior é que isso é visto como problema pelos garotos que ainda não perceberam o outro na relação. ACORDEM HOMENS!

Preste atenção. Cada vez que você demora, mais intenso será seu orgasmo. Demorando mais, sua parceira terá chances de ter VÁRIOS orgasmos e numa mais esquecer de você. Que tal? Por isso,

Caso contrário...., veja por si mesmo!






domingo, setembro 30, 2007

Festa da Família Adolescentro 2007

Festa comunitária do Adolescentro - 25 anos de atenção ao adolescente no DF, 9° aniversário no CS 1406 e o 1º ano do CS06 como Adolescentro

Sexta-feira, 21 de setembro de 2007.

A algazarra ocorreu sob o sol implacável. Em frente ao palco, as mesas distribuídas estavam lotadas. A maioria em pé, se movimentava ao redor das mesas. Familiares, amigos, convidados. Eram quase 15 horas, e o burburinho e a agitação ocupavam o estacionamento do Adolescentro. Algumas pessoas apenas olhavam para o palco, esperando algo. Outros, ocupados, se moviam de um lado a outro, responsáveis pela organização do evento ou por oferecer a bebida e os quitutes. Depois de uma breve explicação ao microfone, jovens dançarinos ocupam o palco. Apresentam uma coreografia e, em seguida, um dos adolescentes faz, com sua voz, uma imitação impressionante de efeitos sonoros e ruídos enquanto seus colegas ensaiam passos.

Novamente algumas pessoas se alternam ao microfone. Parte da platéia tenta ouvir em meio à bagunça, outros conversam e gargalham alto. Algumas pessoas se acomodam à sombra das árvores e conversam em pequenos círculos. Os garçons oferecem sorvetes e andam poucos passos antes que as bandejas esvaziem. Muita gente que não se encontrava há algum tempo parece se reencontrar. Trocam abraços e demonstram interesse por saber o que cada um anda fazendo.

Próximo ao palco, um adolescente senta ao chão. Está acompanhado de amigos, mas simplesmente se afasta da roda de conversa e se senta no meio fio branco que contorna a área do estacionamento. Ajeita o boné e parece compenetrado observando o movimento em meio às mesas.











Rafael Baliardo










terça-feira, setembro 18, 2007

RODA DE CONVERSA 2007 - Fortalecendo a Rede de Atenção ao Adolescente.

Apesar do calor e da seca seguirem castigando a todos, o clima não impediu que nesta terça-feira, 18 de setembro, a Roda de Conversa 2007 reunisse, para um encontro de amigos e parceiros, no Centro de Vivências do Adolescentro, na L2, 605 Sul, os profissionais dos serviços de referência e atenção ao adolescente da Secretaria de Saúde do DF.

Este encontro, que praticamente durou o dia inteiro (das 7h às 18h), é mais um evento vinculado à Semana do Adolescentro 2007 e consistiu em uma grande troca de experiências entre as regionais que oferecem serviços de atendimento e atenção integral à adolescência. Estavam presentes colegas da unidade mista de Taguatinga, dos centros de saúde de São Sebastião, Sobradinho, Paranoá, Candangolândia, Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo, Gama, Brazlândia, Ceilândia, Santa Maria, Gama, Recanto das Emas e do próprio Adolescentro.

A roda iniciou pela manhã com as apresentações dos representantes de cada unidade, em que estes dividiram suas experiências sobre as condições de trabalho, as conquistas e as dificuldades presentes no dia-a-dia. A apresentação, interrompida para o almoço no próprio Adolescentro, ocupou também parte da tarde.

Já a segunda parte da roda de conversa foi dedicada à discussão de soluções, a articulação de questões e a tentativa de otimizar as informações e as experiências apresentadas pelos profissionais dos serviços de atenção à adolescência.

Como todo encontro desse porte, parece não haver tempo suficiente para se discutir todas as questões e dar a atenção que cada assunto merece. Porém, ocasiões como essa vão muito além do debate de tópicos, são lições reais de dedicação, perseverança e capacidade de superação.

Rafael Baliardo
Assessor de Imprenssa



segunda-feira, setembro 17, 2007

POLÍTICAS PÚBLICAS NA ÁREA DE VIOLÊNCIA SEXUAL

Semana do Adolescentro – Segunda-feira - 17 de setembro de 2007

Hoje iniciamos a comemoração do aniversário de 25 anos de atenção ao adolescente no DF, que nasceu no Setor de Adolescente da Unidade de Pediatria do Hospital de Base e o 9º aniversário do Adolescentro no Centro de Saúde 1406.

Na abertura de nossas atividades da Semana do Adolescentro, recebemos a pedagoga Cláudia Araújo, responsável pelo Programa de Atenção Integral a Saúde da Mulher do Ministério da Saúde para falarmos sobre as políticas do MS para a mulher que sofre violência.

Na segunda feira de cada semana funciona no Adolescentro o Programa de Atenção aos adolescentes e seus familiares que viveram violência. Toda a equipe que participa desse programa estava interessado em conhecer os objetivos e as prioridades do Ministério da Saúde em relação à saúde da mulher.

Nosso objetivo com esse encontro é de estreitarmos nossa parceria com as ações do Ministério em relação às situações de violência que vive as mulheres. Em um primeiro momento, Claudia nos apresentou os objetivos do Programa de Atenção a Saúde da Mulher.

Num segundo momento, assistimos ao vídeo de 12 minutos, que foi realizado por uma ONG de Porto Alegre. Esse vídeo foi elaborado como material educativo para profissionais e instituições que trabalham contra a violência sexual no Brasil. Em seguida conversamos sobre nosso trabalho de violência e as intersecções com os objetivos da política de promoção da saúde da mulher do Ministério da Saúde.

Acreditamos que foi um encontro muito proveitoso para todos os participantes. No final saímos com três certezas. A primeira é que temos que promover mais encontros com nossos parceiros. A segunda é que estamos no caminho certo em relação ao trabalho que desenvolvemos com adolescentes e seus familiares que vivem violência. A terceira é que precisamos divulgar o trabalho que realizamos. Precisamos escrever, publicar, fazer filmes e produzir material para ser utilizado na prevenção e ações de atenção ao adolescente e mulheres vítimas de violência.

Termino com uma palavra nova que a Claudia disse sobre um processo de mudança e superação da violência vivida que é um dos objetivos do nosso trabalho.

“Vamos Dolorir - colorir a dor”

e uma frase de uma mulher que testemunhou no filme sobre sua violência e seu processo de superação:

“Pronta para o amor a dois, suave, escolhido”.


Ana Carolina Bessa Linhares

Coord. do Treinamento em Serviço do Adolescentro